Spinning

Pesca ao spinning.
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Quando se fala de pesca, muitos associam a um desporto monótono, sendo sinonimo de espera/paciência. Contudo esta modalidade é o oposto.

Como em tudo na vida é preciso gosto e praticar para a obter o sucesso.
Em todas as modalidades a prática é um fator forte, mas apenas que aumenta a probabilidade de sucesso.
Não sendo obrigatoriamente sinonimo de sucesso imediato.

O spinning depende de um fenómeno incontrolável “a sorte”.

Apenas com a minha opinião pessoal, concluo-o que:

30% Encontra-se no material que usamos.

30% Técnica (lançamentos, leitura dos pesqueiros).

40% De sorte.

Uma jornada de spinning obriga no imediato uma enorme logística mental, desde condições do mar, condições atmosféricas e material adequado.

Atualmente com pesquizas em sites de metrologia/desportos náuticos, podemos verificar as melhores condições, ventos, marés, luas, etc.
Com a experiencia que tenho adquirido, obtenho cada vez melhores resultados com condições adversas.

Na Ericeira

Ericeira, uma vila maravilhosa, um local de excelência para as diversas modalidades náuticas.
Mas uma das zonas em que os pesqueiros mais alteram.
As condições muitas das vezes são bastante difíceis para as diversas praticas, sejam elas desportivas ou profissionais.

O mar de eleição da maioria dos praticantes ronda os 1,5metros/ período de 8.
Pessoalmente prefiro mar um pouco mais bruto com 2 metros/ período de 9 ou 10.

No meu historial entrado da lua nova faz parte dos meus pontos altos.

A época dos grandes exemplares é variável entre novembro e fevereiro, coincidindo com a desova.
Pessoalmente tenho encontrado bonitos exemplares fora destes meses.
Visto que estes meses muitas vezes são impraticáveis e servem apenas referencia podendo atrasar ou adiantar.

A internet para muitos que se iniciam nesta modalidade, é um trunfo.
Mas não nos podemos esquecer que nem sempre as bonitas fotos que vemos por ai correspondem ao imediato.

Basicamente a pesca no seu ponto físico corresponde a realidade e a verdadeira aprendizagem.
Alguma teoria mais abrangente são através da internet apenas um pequeno apoio.

A aptidão física

É uma modalidade de grande desgaste físico, não só se resume a um dia em si.
Mas também os  dias seguintes são de plena recuperação.

Os horários de eleição pelos praticantes de spinning esta compreendida entre a noite e os períodos do nascer e pôr-do-sol.
Mas é claro que os robalos caçam a qualquer hora do dia.

A opção noturna é uma das que possui maior taxa de sucesso nesta modalidade.
Visto ser a altura de melhor conforto para os robalos caçarem.

Levantar cedo é uma das grandes dificuldades, mas quando se tem um gosto especial até parece que o tempo custa a passar até a hora do despertador tocar.
Levantar cedo  terá um desgaste superior ao desgaste físico.

Os fins de tarde junto ao mar para muitos será a melhor opção.
Bonitos ataques costumam acontecer quando o sol toca o horizonte.

A aptidão física é uma das grandes necessidades para o sucesso.
Desde o bom equilíbrio em pesqueiros mais arriscados, falésias, rebentação etc.. até a resistência de jornadas normalmente duram 3h a 4h.

Spinning

 

Evitar sempre pedra altas mesmo junto ao mar, pois aumentam os danos em caso de queda.
É preferível uma pedra com limos mas rasteira, na existência de queda os danos serão muito menores.
Se necessário usando o apoio de uma das mão, com calma tudo se faz e atravessa.
A segurança deveria ser um dos focos de cada saída, muitas vezes parece impossível mas inconscientemente estamos bastante focados nela.
Com a prática até o gerar de uma onda e o seu barulho são os sinais de alerta.
Mas todo o cuidado é pouco, nada como pensar antes de agir.

Equipamento de segurança

Em relação ao equipamento de segurança, acho que devia existir legislação ao uso de colete de apoio.
Mesmo que a fiscalização fosse baixa, muitos não iriam arriscar a falta do mesmo.
Outra dica para quem pratica esta pesca sozinho não custa nada através de uma mensagem alertar um familiar ou amigo em relação a nossa localização.
Mesmo que se mude de pesqueiro varias vezes.

Quando iniciei esta modalidade, já tinha algumas luzes vindas da água doce (pesca ao achigã) apeada e embarcada, mas no mar é bem diferente.

Na aquisição de material, pesqueiros e leitura do mar, falhei muitas vezes e ainda bem que falhei.
Cada progresso que fazia por mim mesmo tinha um gosto especial.

Adquiri muitas vezes material que nunca cheguei a usar, baseado em modas ou rumores.
Mas cheguei a conclusão que o que faz mesmo a diferença é estar na zona de ação.
Tenho uma seleção de amostra que acho serem adequadas aos meus pesqueiros bem como os tipos de mar que nele se fazem sentir.
Escolho antecipadamente as mais adequadas.

O material de spinning

O material que uso é de gama media, suficiente para o fim pretendido.
Canas entre os 3 metros e os 3.3metros, ações variam entre 15 e 100g.
Os carretos tento adquirir com tamanho na casa dos 4000/ 5000 (conforme marcas) e com ratio de 5 ou 6.

Cada vez são mais utilizadas canas e carretos de medidas inferior as que referi e com prestações muito boas.
Mas cada um tem um gosto especial, e existe sempre uma a que nos adaptamos melhor.

Nos pesqueiros que frequento sinto-me mais confortável com material mais robusto.

Atualmente faço-me acompanhar de 6 amostras e um igual número de vinis.
Consciente que todas as amostras do mercado são boas e efetuam capturas.

Obrigatoriamente faço-me acompanhar por duas de 17cm e duas de 14cm, uma passeante e outra de meia água.
Vinis de 12,5cm e os 14cm pesos entre 20/45g.

Com uma combinação de fatores podemos estar preparados para o spinning, mas mais uma vez temos a sorte a ser a fulcral na jornada.

Chegados ao pesqueiro e com o mar elegido e possível, ferramos o nosso primeiro exemplar.
Temos de aproveitar este momento de sorte para que acabe tudo bem.
Visto a mesma poder acabar sem sucesso, não nos podemos esquecer que estamos numa luta desequilibrada.
Quando corre tudo bem, podemos calmamente e repletos de adrenalina observar tal beldade.
A nossa autoestima aumenta, muitas das vezes não só pela captura em si mas também pelos louvores que os amigos e familiares nos iram dar.

A mentalidade

Os tempos passam e a nossa mentalidade vai mudando.
Peixes que outrora eram o auge agora são devolvidos.
Até o dia que até os grande exemplares apenas serviram para a foto e o mais rapidamente colocados no seu habitat.
Esse sim é o nível máximo de qual pescador e algo de louvar.

Nós pescadores desportivos somos e seremos sempre uma gota de água na quebra da cota desta espécie.
Certamente também influenciaremos mas em termos percetuais e comparando com outras artes não somos nada.

Seria mais justo punir a lixos deixados ao abandono nos pesqueiros do que muitas vezes uma punição por um outro exemplar de menor tamanho.
Claro que tudo com a devida moderação.

Afinal todos os dias podemos assistir a vídeos publicados nas redes sociais onde observamos verdadeiras chacinas desta espécie.
Toneladas e toneladas de robalos sem medida capturados.

Defendo que os profissionais deveriam de ter melhores condições, apoios, etc.

Dependerem do mar e muitas vezes nem poderem ir, talvez esta seja a necessidade que os faz ter de capturar pelos dias em que estiverem impossibilitados de tal.
É uma vida bonita e muitas vezes triste, depender não só da natureza mas também da sociedade.
Sem contar com a sorte, existe espaço e tempo para tudo na vida é preciso saber organizar e gerir.
Tal como eu escrevo, é facílimo dar palpites, colocar em pratica é que é o difícil, mas também o compreendo.

Os momentos vividos junto ao mar são verdadeiras terapias para o stress do quotidiano.
Ter o privilégio de poder uma bonita família e pescar é um sonho, a descoberta do spinning foi a cereja no topo do bolo.

HÉLIO SILVA

Outros vídeos de interesse:

Manuel Monteiro

Manuel Monteiro tem mais de vinte anos de experiência em pesca desportiva pela qual é apaixonado, especialmente á pesca aos sargos e mais de dez anos a trabalhar numa loja da área.

Website: http://segredosdepesca.com/oferta

11 Comentários

  1. Pingback: O segredo da pesca!!

  2. José Pombal

    Bom dia Senhor Hélio: gostei muito do seu artigo com o qual me identifiquei.
    Tudo o que disse sobre o corrico (eu prefiro este termo ao “spinning”) é genuíno e vem do coração.
    Já faço corrico há muitos anos depois de ter começado a pescar bodiões na Areosa, Viana do Castelo (lá chamam-se lucinhas e maragotas) com uma cana de bambu inteira e um empate directo.
    Comecei por corricar com boião e amostras de borracha, depois vieram as rapalas, os vinis e toda a panóplia de amostras que agora existem. E sim, passei pela fase do neoprene (penso que é nesta fase que o senhor está) para me chegar mais para as pedras de fora na maré vaza.
    Agora estou a começar a “recuar” pq a confiança já não é a mesma mas as madrugadas e a paixão continuam intactas. Passei das vazantes para as enchentes e pesco a maior parte das vezes a partir da areia sobretudo de noite e nas alvas matutina e vespertina que é quando se obtêm melhores resultados. E nunca cheguei verdadeiramente a abandonar o corrico com boião que agora me é muito útil pq permite colocar o material mais longe a partir da areia. E que nunca nos faltem os robalos e as bailas, sobretudo os grandes. Infelizmente a nossa costa aqui no Norte é fraca para os sargos pq era uma pesca que agora faria de bom grado. Abraço, a si e ao seu amigo Manuel Monteiro.

    • Boa noite amigo, desde já em meu nome agradeço a sua empatia e simpatia com o meu artigo.
      Existem vários tipos de pescadores desta arte, contudo nem todos resistem, só os verdadeiros aficionados e aplicados acabam por vingar, assim como em tudo na vida.
      É uma pesca mágica, uma verdadeira droga para colmatar o stress do dia-a-dia, apesar de ser uma pesca de muita sorte essa sorte tem de ser procurada.
      Para mim todos os minutos em que possa estar a pesca, são bom, independentemente do tipo de maré, cor da água, dia ou noite, etc… adapto-me e procuro sempre arranjar uma feição na esperança de enganar algum predador.
      Tenho excelentes “cantinhos” para ambas as marés, tento minimizar os riscos, sendo o mais responsável e respeitador possível.
      Todos os anos passo férias bem perto de si, mais propriamente em Cabeceiras de Basto, poderemos um dia nas férias nos encontrar, pescar e conversar, certamente será um dia bem passado.
      O meu amigo Manuel Monteiro tem o meu contacto, cumprimentos e um grande abraço.

  3. José Pombal

    Sr Hélio:
    Sr Hélio:
    Uma questão que tenho tentado analisar e compreender por observação é a seguinte: todos nós pescadores em geral e pescadores com amostra em particular já observamos ou fomos protagonistas de uma situação em que os peixes (sabe-se lá porquê) estão num verdadeiro frenesi alimentar e quando chegamos ao pesqueiro tiramos um peixe logo no primeiro lançamento e outros vários seguidos e, de repente e sem grande explicação, pára e não adianta insistir mais.
    Infelizmente são raras estas situações e se conseguíssemos saber em que condições elas acontecem seríamos muito bem sucedidos.
    Há situações em que isto está directamente relacionado com a comedoria e já tive ocasiões em que um cardume de petinga encosta às pedras e trazem os robalos por baixo a atirar-se bastando passar a amostra no meio. Mas a maioria dos casos não têm que ver com isso mas acontecem. Porquê, pergunto eu?
    Há a teoria das Solunares que tenta prever picos de actividade pela conjugação da posição da Lua (se está a passar na nossa vertical ou sob os nossos pés) com o Sol (se está a amanhecer ou a anoitecer) sendo que a situação ideal é a Lua estar na nossa vertical no momento de que o Sol está a nascer ou no ocaso. Mas a verdade é que nunca consegui relacionar de forma cabal os peixes que pesco com esta teoria e a única situação que todos conhecemos é que parece haver um maior número de lances ao amanhecer e anoitecer.
    Gostava que discutisse este assunto neste local e deixo-lhe aqui a sugestão e o desafio.
    Cumprimentos.
    José Pombal.

    • Boas caro José,
      vou dar a minha opinião relativamente ao que descreve, baseando-me apenas na minha experiencia própria.
      De factos existem teorias Solunares, mas a meu ver são apenas mais um fator que terá de estar em perfeita sintonia para a pesca bem sucedida. Essa teoria sozinha cairá por terra, vejamos, teoria Solunares a dar o seu melhor pico por exemplo ao nascer do dia, tudo perfeito, chegamos ao pesqueiro, águas barrentas, vento tremendo e muito lixo, a teoria do possível sucesso não servirá de nada.
      Os robalos como a maioria dos animais, tem a sua hora de conforto para caçar, é verdade que caçam a qualquer hora do dia, mas as suas horas por excelência serão sempre fim do dia, noite e nascer do dia…
      O verdadeiro truque será mesmo a escolha do pesqueiro e ter tempo para ir a pesca.
      Muitas vezes, o peixe deixa de dar sinal de repente, a meu ver terá mais relacionado com a maré, salvo exceções em que a comedoria entra e eles não resistem, mesmo sujeitando-se a comer em seco, outros dois motivos relaciono são, a desferrarem de algum exemplar ou agitação do pescador com tal atividade, também pode levar a alguns erros que o peixe se apercebe acabando por abandonar o pesqueiro, dai eu normalmente dar descanso ao pesqueiro por alguns minutos para que estabilize… apenas mais uma teoria (esta minha).
      Abraço,
      Hélio Silva.

      • Ricardo Nobre

        Boas a todos!
        Já algum tempo que não corrico, faz um ano mas fiz durante muitos anos desde garoto porque não tinha pachorra pra ficar a olhar para a cana. Mas há um fator muito importante quando à esses ditos cardumes de robalos que forçam os cardumes de petinga a encostar à beira mar e estão no autentico frenesim! Que é a furtinivade do pescador , já me aconteceu poucas vezes apanhar esses acontecimentos mas das vezes que aconteceu apareceu sempre um esperto a mandar a chumbada com a raglo montada mesmo pro meio daquele frenesim e encostar se mesmo à linha de agua a lançar e a salpicar na vaga… E de repente o peixe deixa de picar…
        E lá se foi a pescaria, o robalo como predador é um peixe com grandes capacidades de percepção ou seja é muito cauteloso se achar que algo não esta bem.
        Abraço Ricardo Nobre

        • Pois é sempre chato quando isso acontece Ricardo.
          Mas o mais importante é a malta se divertir.
          Abraço MM

          • Ricardo Nobre

            Claro! Apanhar peixe é sempre importante, nem que seja PA acalmar a Maria mas a diversão e o gosto é o mais importante 😉 Abraço
            E já agora Manel, decidi adiantar um pouco o curso vou já pro final do próximo mes , já estou em ânsias mas este mes não dá para mim senão era já este mês.

          • Boas amigo Ricardo
            Sem duvida que a diversão e paz que nos traz estar á beira mar á pesca é o mais importante.
            Que bom que te vais juntar á malta do curso, vais adorar, e acabar com as grades eheheheh.
            Abraço MM

  4. salomao

    ola bom dia amigo Helio será k me pode ajudar em relação a uma cana de spining da Kali Kunnan jet spinn 3.30 sera uma boa compra para pescar em zonas de paradao e mares fortas eu sou da zona norte agradecia ajuda …..

    • (resposta do meu amigo Hélio Silva)
      Olá companheiro, atualmente utilizo canas de 330 com cw de 20/50g, a cana em questão não conheço pessoalmente, a cana deve de ir ao encontro das gramagem dos artificiais que mais utiliza, no meu caso uso amostras de 19g e vinis até 41g ( estas estão bem enquadradas nos 20/50g).Canas caras normalmente têm muito carbono, são mais leves mas também mais frágeis, os passadores de qualidade são uma mais valia para aqueles dias que por um motivo ou outro não tivemos oportunidade de lavar o material com água doce. As canas com cw mais elevados são de facto canas mais robustas, mas não significa que sejam muito superiores quando da ferragem. Muitas vezes fala-se de cana boa levanta X de quilos em peso, mas essa efectividade depende de vários factores, tais como a resistência do fio e da própria frieza do pescador, etc… Um grande abraço

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